A hipnose clínica é uma técnica terapêutica que utiliza o estado de transe hipnótico para ajudar a resolver questões emocionais, comportamentais e psicológicas. Diferente da hipnose usada para entretenimento, a hipnose clínica, também conhecida como hipnoterapia, tem como objetivo acessar o subconsciente do paciente e promover mudanças positivas na forma como ele reage a certos estímulos e situações.
Esse tipo de hipnose é conduzido por um profissional de saúde mental qualificado, como psicólogos e médicos, que possuem treinamento específico em hipnose terapêutica. Eles utilizam a hipnose como uma ferramenta para complementar outras abordagens, como a psicoterapia e o aconselhamento psicológico. É importante ressaltar que, na hipnose clínica, o paciente está sempre no controle e consciente de todo o processo, diferente da ideia comum de "perda de controle" vista na mídia e na hipnose de palco.
O uso da hipnose remonta a milhares de anos, com registros históricos de práticas similares no antigo Egito e Grécia. Porém, a hipnose clínica moderna começou a ganhar reconhecimento no século XVIII, graças ao trabalho de Franz Anton Mesmer, um médico austríaco que acreditava no poder do "magnetismo animal" para curar doenças.
No século XIX, o médico britânico James Braid cunhou o termo "hipnose" e começou a explorar seus efeitos científicos, desvinculando-a do misticismo e das práticas esotéricas. Desde então, a hipnose passou por várias fases de aceitação e rejeição dentro da comunidade médica. No século XX, com a popularização dos estudos de Milton Erickson, um dos maiores hipnoterapeutas da história, a hipnose clínica começou a ser vista como uma ferramenta legítima e eficaz no tratamento de vários transtornos psicológicos e comportamentais.
O principal objetivo da hipnose clínica é permitir que o paciente acesse seu subconsciente de maneira controlada e guiada, para trabalhar questões emocionais, hábitos e comportamentos que estão enraizados em padrões subconscientes. A hipnose clínica é especialmente útil para ajudar a reprogramar padrões de pensamento negativos, aliviar dores crônicas, reduzir o estresse e a ansiedade, e até mesmo para auxiliar no controle de vícios.
A hipnose clínica é uma opção viável em tratamentos terapêuticos por sua capacidade de induzir um estado de relaxamento profundo e foco concentrado, o que facilita a comunicação entre o terapeuta e o paciente. Quando o paciente está em estado hipnótico, ele se torna mais receptivo a sugestões que podem ajudar a modificar crenças limitantes e comportamentos destrutivos.
Por exemplo, um paciente que sofre de ansiedade pode aprender, sob hipnose, a associar os gatilhos da ansiedade a sensações de calma e controle, em vez de pânico. Isso é possível porque a hipnose permite que a mente subconsciente, que é responsável pela maioria das reações automáticas e emoções, seja acessada diretamente, sem as barreiras e defesas conscientes que podem dificultar o progresso em terapias tradicionais.
Estudos científicos mostram que a hipnose clínica pode ser eficaz em várias condições, como o controle da dor crônica, tratamento de fobias e redução de sintomas de transtornos de estresse pós-traumático (TEPT). Segundo um estudo publicado no International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, pacientes que usaram hipnose como complemento ao tratamento psicológico tradicional apresentaram melhora significativa em comparação aos que não utilizaram a técnica.
Além disso, um estudo de meta-análise realizado pelo American Psychological Association constatou que a hipnoterapia pode ser mais eficaz do que tratamentos convencionais para tratar problemas relacionados à ansiedade, estresse e condições psicossomáticas. Esses dados sugerem que a hipnose não é apenas uma prática alternativa, mas uma ferramenta validada cientificamente para tratamento de saúde mental.
Durante a hipnose, o cérebro entra em um estado alterado de consciência, caracterizado por um aumento na atividade das ondas cerebrais alfa e teta, que são associadas ao relaxamento profundo e à meditação. Isso significa que a pessoa não está "dormindo", como muitas vezes se pensa, mas sim em um estado de alta concentração e foco, semelhante ao momento antes de dormir ou logo após acordar. É um estado onde a mente consciente relaxa e a subconsciente se torna mais acessível, facilitando a sugestão e a visualização de novas ideias e comportamentos.
Estudos de neuroimagem mostram que áreas específicas do cérebro, como o córtex pré-frontal (envolvido no planejamento e na execução de tarefas) e a ínsula (que controla emoções e percepção corporal), mostram maior atividade durante a hipnose. Isso sugere que, sob hipnose, o paciente experimenta uma sensação mais intensa de controle sobre processos internos, permitindo mudanças no comportamento e no modo de pensar.
Durante a hipnose clínica, o paciente não perde a consciência ou o controle, mas sim se torna mais receptivo às sugestões do terapeuta, que devem ser direcionadas para a reestruturação de padrões de pensamento negativos ou disfuncionais. É importante entender que a hipnose não é um estado de "entrega", mas sim um estado de "foco controlado".
Um dos maiores mitos em torno da hipnose clínica é que o paciente está completamente sob controle do hipnoterapeuta, como em um "feitiço". Na realidade, isso é incorreto. O paciente é capaz de interromper a sessão a qualquer momento, recusar sugestões e até mesmo relembrar tudo o que aconteceu durante o estado hipnótico.
Outro equívoco comum é que apenas pessoas "fracas de mente" podem ser hipnotizadas. Estudos mostram que, na verdade, aqueles que possuem maior capacidade de concentração e imaginação têm mais probabilidade de se beneficiar com a hipnose clínica. Pessoas com forte controle mental e alta inteligência também tendem a ser bons candidatos, pois conseguem entrar em um estado de foco profundo com mais facilidade.
A hipnose clínica segue um processo estruturado, que geralmente inclui as seguintes etapas:
Existem várias abordagens para hipnose clínica, mas algumas das mais comuns incluem:
A suscetibilidade à hipnose varia de pessoa para pessoa, mas praticamente qualquer pessoa com um nível razoável de capacidade de concentração pode ser hipnotizada. Fatores que influenciam a eficácia incluem:
Estudos sugerem que cerca de 10% das pessoas são altamente suscetíveis à hipnose, 80% possuem um nível médio de susceptibilidade e 10% são muito resistentes, sendo difícil entrar em estado hipnótico.
Embora os termos hipnose clínica e hipnoterapia sejam frequentemente usados de forma intercambiável, há algumas diferenças sutis entre eles. A hipnose clínica refere-se ao uso da hipnose como uma ferramenta terapêutica dentro de um contexto clínico, enquanto a hipnoterapia é o processo terapêutico completo em que a hipnose é utilizada como a principal intervenção. Em outras palavras, a hipnose clínica é a técnica, e a hipnoterapia é o contexto em que essa técnica é aplicada.
Além disso, a hipnose clínica pode ser empregada por profissionais de diversas áreas da saúde, como psicólogos e médicos, para complementar outras formas de tratamento. Já a hipnoterapia é geralmente praticada por hipnoterapeutas, que são especialistas treinados especificamente na aplicação da hipnose como forma principal de tratamento.
A hipnose clínica se destaca de outras formas de terapia por seu foco na mente subconsciente. Veja como ela se compara a algumas abordagens terapêuticas comuns:
Embora a hipnose clínica tenha muitos benefícios, ela também possui limitações que devem ser consideradas:
Um estudo publicado no Journal of Consulting and Clinical Psychology comparou a eficácia da hipnose clínica e da TCC no tratamento de transtornos de ansiedade. Os resultados mostraram que, enquanto ambas as abordagens foram eficazes, a hipnose produziu uma redução mais rápida nos sintomas de ansiedade. Outro estudo no American Journal of Clinical Hypnosis revelou que a hipnose foi significativamente mais eficaz do que terapias de controle para o tratamento da dor crônica, proporcionando alívio a longo prazo.
Esses dados mostram que, embora a hipnose clínica não substitua outras formas de terapia, ela pode ser uma ferramenta valiosa para acelerar o processo de recuperação e fornecer suporte adicional em áreas onde terapias tradicionais podem ser mais lentas.
A hipnose clínica é uma abordagem terapêutica versátil que pode ser utilizada para tratar uma ampla variedade de problemas emocionais, psicológicos e físicos. Aqui estão alguns dos principais transtornos e condições em que a hipnose clínica se mostrou eficaz:
Além de tratar condições específicas, a hipnose clínica também pode ser usada para ajudar no desenvolvimento pessoal. Ela pode apoiar o paciente em áreas como:
Paciente: Mulher, 34 anos, com medo intenso de voar que a impedia de viajar a trabalho.
Tratamento: Durante cinco sessões de hipnose clínica, o terapeuta utilizou a técnica de dessensibilização sistemática e visualização guiada para ajudar a paciente a se imaginar em um avião, mas sentindo calma e controle.
Resultados: Após o tratamento, a paciente foi capaz de embarcar em um voo de duas horas com mínima ansiedade e, posteriormente, fez uma viagem internacional sem sintomas de pânico.
Conclusão: A hipnose ajudou a modificar a resposta emocional da paciente, substituindo o medo por uma sensação de segurança e confiança.
De acordo com uma pesquisa publicada na International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, a hipnose clínica se mostrou eficaz em mais de 75% dos casos para controle de dor e redução de ansiedade, em comparação a 30% com outras abordagens terapêuticas. Além disso, a hipnose teve uma taxa de sucesso superior a 50% no tratamento de fobias e transtornos do sono.
Apesar dos benefícios, a hipnose clínica possui algumas restrições e deve ser aplicada com cautela. Ela não é recomendada como tratamento exclusivo para transtornos psicóticos ou para pacientes com distúrbios graves de personalidade. Em tais casos, deve ser usada apenas como complemento a outras abordagens e sempre sob a supervisão de um profissional qualificado.
Um fator essencial para o sucesso da hipnose clínica é a competência e a qualificação do profissional que conduz o processo. Um hipnoterapeuta precisa ter formação específica em saúde mental, como psicologia, psiquiatria ou outras áreas relacionadas, além de um treinamento especializado em hipnose clínica. Existem diferentes certificações e programas de formação disponíveis, dependendo do país e das regulamentações locais, mas um hipnoterapeuta idealmente deve possuir:
Escolher um hipnoterapeuta qualificado é crucial para garantir a segurança e a eficácia do tratamento. Aqui estão alguns critérios que você deve considerar:
O papel do hipnoterapeuta durante a sessão é guiar o paciente para um estado de relaxamento profundo, facilitando o acesso ao subconsciente. O terapeuta deve adaptar a abordagem às necessidades específicas do paciente, utilizando diferentes técnicas e sugestões para atingir os objetivos terapêuticos. O processo pode ser dividido em várias etapas, cada uma com um propósito específico:
Cada sessão de hipnose clínica é única, assim como cada paciente. Um bom hipnoterapeuta personaliza a abordagem com base nas características e necessidades individuais do paciente. Por exemplo, um paciente que está tentando parar de fumar pode ser mais motivado por sugestões de aversão ao fumo, enquanto outro pode responder melhor a sugestões de empoderamento e reforço de autocontrole.
Além disso, o hipnoterapeuta deve estar atento às reações do paciente durante a sessão. Se um paciente começa a mostrar sinais de desconforto ou resistência, o terapeuta deve ajustar imediatamente a abordagem para garantir que o paciente permaneça em um estado seguro e confortável.
Um terapeuta competente deve:
O sucesso da hipnose clínica depende muito da habilidade e ética do terapeuta. Profissionais qualificados podem ajudar o paciente a acessar seu potencial para mudança de maneira segura e eficiente, enquanto terapeutas mal treinados podem causar danos ou resultados ineficazes. Portanto, é essencial investir tempo para encontrar o profissional certo e construir uma relação de confiança.
A hipnose clínica é cercada de equívocos e mal-entendidos, em parte devido à sua representação exagerada na mídia e à confusão com práticas de hipnose de palco. Esses mitos podem afastar pessoas que poderiam se beneficiar dessa forma de terapia, tornando essencial desmistificar algumas crenças e separar os fatos das ficções. Vamos explorar os principais mitos e esclarecer como a hipnose realmente funciona no contexto clínico.
Mito. A ideia de que um hipnoterapeuta pode controlar completamente a mente do paciente é um dos maiores mitos associados à hipnose. Isso é alimentado por filmes e programas de TV que mostram hipnotizadores induzindo pessoas a agirem como "robôs" ou a realizarem ações contra a própria vontade.
Na verdade, durante a hipnose clínica, o paciente mantém total controle sobre seus pensamentos e ações. O hipnoterapeuta apenas guia o paciente a um estado de relaxamento e foco, onde ele se torna mais aberto a sugestões. No entanto, o paciente pode escolher aceitar ou rejeitar essas sugestões a qualquer momento. Se uma sugestão não estiver de acordo com seus valores ou desejos, o paciente simplesmente não a aceitará.
Mito. Ao contrário do que muitos acreditam, a maioria dos pacientes se lembra de tudo o que aconteceu durante a sessão de hipnose clínica. Eles estão cientes das palavras do terapeuta, das sensações que experimentam e das emoções que surgem. Apenas em raros casos, como em estados de transe muito profundo (também conhecido como estado de hipnose somnambulística), o paciente pode ter uma amnésia parcial da sessão.
A lembrança completa ou parcial da sessão depende do nível de transe atingido, mas mesmo quando o paciente entra em um estado profundo, ele ainda está ciente de suas decisões e pode interromper a sessão a qualquer momento.
Mito. A hipnose é uma técnica segura quando praticada por profissionais qualificados. Ela é, de fato, uma forma natural de estado alterado de consciência, semelhante a estados que experimentamos no dia a dia, como quando nos perdemos em um livro ou em um filme e perdemos a noção do tempo. No entanto, assim como qualquer outra forma de terapia, é essencial que a hipnose seja realizada por um profissional de saúde mental treinado.
O perigo real está em buscar hipnoterapeutas não qualificados ou usar a hipnose de maneira irresponsável. Hipnoterapeutas inexperientes ou charlatães podem agravar problemas psicológicos existentes ou implantar sugestões inadequadas. Por isso, escolher um profissional com formação e experiência é fundamental.
Mito. A susceptibilidade à hipnose não está relacionada à força mental ou inteligência. Na verdade, pessoas com alto poder de concentração, imaginação vívida e que conseguem seguir instruções com facilidade geralmente respondem melhor à hipnose. Ser suscetível à hipnose não significa ser "fraco" ou "facilmente influenciável", mas sim ter a capacidade de se concentrar e se entregar ao processo.
Mito. Não há casos documentados de pessoas que ficaram presas em estado hipnótico. Se o hipnoterapeuta sair da sala no meio de uma sessão ou se houver uma interrupção repentina, o paciente simplesmente sairá do estado hipnótico por conta própria ou entrará em um estado de sono leve, do qual acordará naturalmente. Em todos os casos, o paciente permanece no controle e pode interromper o transe a qualquer momento.
Mito. Embora a hipnose possa ser uma ferramenta poderosa, ela não é uma cura milagrosa para todos os problemas. A hipnose clínica é mais eficaz quando usada como complemento a outras formas de terapia e como parte de um plano de tratamento abrangente. Por exemplo, no tratamento de transtornos complexos como depressão e traumas profundos, a hipnose sozinha pode não ser suficiente e deve ser combinada com psicoterapia ou outras abordagens terapêuticas.
A confusão entre hipnose clínica e hipnose de palco contribui para muitos dos mitos e estigmas. A hipnose de palco é usada como entretenimento e tem como objetivo impressionar o público. Nela, o hipnotizador utiliza técnicas rápidas e manipulativas para fazer com que participantes realizem ações engraçadas ou bizarras.
Por outro lado, a hipnose clínica é realizada em um ambiente controlado, com objetivos terapêuticos bem definidos. O foco é o bem-estar do paciente, e as técnicas utilizadas são baseadas em evidências científicas, sem nenhum interesse em gerar um "show". O paciente jamais será induzido a realizar algo embaraçoso ou que vá contra seus princípios.
Os mitos em torno da hipnose persistem principalmente por três razões:
Desmistificar a hipnose envolve educação e transparência. É fundamental que terapeutas expliquem claramente o processo aos pacientes, abordem as expectativas e discutam quaisquer preocupações antes do início do tratamento. A disseminação de informações corretas por meio de estudos científicos e relatos de sucesso também ajuda a desestigmatizar a hipnose e a promover sua aceitação como uma técnica terapêutica válida.
Entender o que acontece durante uma sessão de hipnose clínica pode ajudar a reduzir o nervosismo e preparar o paciente para aproveitar ao máximo a experiência. Embora cada sessão possa ser personalizada de acordo com as necessidades do paciente, há um fluxo geral que a maioria dos hipnoterapeutas segue. Vamos detalhar cada etapa para que você saiba o que esperar desde a preparação até o momento de deixar o consultório.
Antes de iniciar a hipnose propriamente dita, há algumas etapas de preparação que ajudam a definir o tom do tratamento e a garantir que o paciente se sinta confortável e confiante:
Uma sessão de hipnose clínica geralmente segue as seguintes etapas:
Durante uma sessão de hipnose clínica, os pacientes podem experimentar uma variedade de sensações. Alguns dos sentimentos mais comuns incluem:
Depois da sessão, o paciente pode se sentir:
O terapeuta pode sugerir que o paciente faça exercícios de relaxamento ou use auto-hipnose entre as sessões para reforçar os benefícios da hipnose. Manter um diário de pensamentos e emoções também pode ajudar a monitorar o progresso e identificar áreas que ainda precisam de atenção.
A hipnose clínica ainda é cercada de dúvidas e receios, o que é natural para quem nunca experimentou esse tipo de terapia. A seguir, estão as perguntas mais comuns feitas por pacientes em potencial, juntamente com respostas claras para ajudar a desmistificar o processo e fornecer um entendimento completo de como a hipnose pode ajudar.
Cada sessão de hipnose clínica pode durar de 30 minutos a 1 hora, dependendo do objetivo da terapia e da profundidade do estado hipnótico que o terapeuta deseja alcançar. Sessões mais curtas são geralmente usadas para reforçar sugestões ou tratar problemas específicos, enquanto sessões mais longas permitem um trabalho mais profundo e detalhado.
O número de sessões varia de acordo com o problema que está sendo tratado e a resposta individual de cada paciente. Para questões simples, como parar de roer unhas ou aliviar o estresse antes de um evento específico, pode ser suficiente apenas uma ou duas sessões. Já para problemas mais complexos, como ansiedade generalizada ou traumas de longa data, o tratamento pode se estender por várias semanas ou meses.
Estudos indicam que a hipnose é mais eficaz quando usada de forma consistente e como parte de um plano de tratamento mais amplo, incluindo outras formas de terapia, como a psicoterapia.
Não, é impossível ser hipnotizado contra a vontade. A hipnose é um processo cooperativo entre o paciente e o terapeuta, e exige consentimento e participação ativa. Se uma pessoa não deseja ser hipnotizada ou não se sente confortável com o processo, ela não entrará em transe, por mais que o hipnoterapeuta tente. A crença de que alguém pode ser hipnotizado "à força" é um mito propagado por filmes e shows de hipnose de palco.
A hipnose clínica é considerada uma técnica segura, mas como qualquer forma de terapia, pode ter efeitos colaterais em alguns casos. Os efeitos colaterais mais comuns incluem:
Esses efeitos colaterais são temporários e geralmente desaparecem dentro de algumas horas. Se um paciente sentir desconforto persistente, deve comunicar imediatamente ao terapeuta.
Sim, a hipnose clínica pode ser usada com segurança em crianças e adolescentes, desde que seja realizada por um profissional qualificado e experiente. Crianças, em particular, são mais suscetíveis à hipnose devido à sua imaginação ativa e à capacidade de concentração. A hipnose é frequentemente utilizada em crianças para tratar:
Em adolescentes, a hipnose é útil para abordar questões como baixa autoestima, transtornos alimentares e preparação para provas.
Não. A hipnose clínica é mais eficaz quando usada como parte de um plano de tratamento integrado, complementando outras formas de terapia, como psicoterapia, terapia cognitivo-comportamental (TCC) e aconselhamento. Ela não deve ser usada como substituto exclusivo para o tratamento de transtornos graves, como depressão profunda ou esquizofrenia. Em tais casos, deve ser supervisionada por um profissional de saúde mental qualificado.
A hipnose clínica é indicada para uma ampla gama de condições e problemas, incluindo:
Sim, a hipnose clínica é apoiada por uma extensa base de pesquisas científicas. Estudos mostram que a hipnose pode alterar a percepção da dor, modificar comportamentos e promover mudanças emocionais e cognitivas significativas. A American Psychological Association e a British Medical Association reconhecem a hipnose como uma prática válida para uso clínico, com benefícios comprovados em vários contextos terapêuticos.
Embora a hipnose seja uma técnica poderosa, ela não funciona igualmente para todas as pessoas. Alguns indivíduos são naturalmente mais suscetíveis à hipnose do que outros. Aproximadamente 10% das pessoas têm alta suscetibilidade e podem entrar em transe rapidamente, 80% possuem suscetibilidade média e respondem bem com prática, e cerca de 10% têm baixa suscetibilidade, tornando mais difícil o uso da hipnose como ferramenta terapêutica.
Aqui estão algumas dicas para maximizar os benefícios da hipnose:
A hipnose clínica vem sendo cada vez mais estudada pela comunidade científica, com resultados que demonstram sua eficácia no tratamento de diversas condições de saúde mental e física. Pesquisas científicas em todo o mundo têm explorado como a hipnose pode ajudar no controle da dor, tratamento de ansiedade, redução de fobias e até mesmo no gerenciamento de condições psicossomáticas. A seguir, vamos apresentar alguns dos estudos mais relevantes e o que a ciência diz sobre o uso da hipnose clínica.
A hipnose clínica funciona porque altera a percepção e o processamento de informações no cérebro. Pesquisas de neuroimagem, como estudos de ressonância magnética funcional (fMRI), mostram que a hipnose pode aumentar a conectividade entre diferentes áreas do cérebro, especialmente aquelas relacionadas ao controle emocional e à regulação do estresse.
Um estudo de 2016 publicado no Journal of Neuroscience revelou que, durante o estado hipnótico, há uma diminuição na atividade da default mode network (DMN), que é a rede cerebral associada à auto-referência e à crítica interna. Isso significa que a hipnose ajuda a "desativar" a mente consciente, permitindo que o paciente acesse e reestruture padrões mentais profundos que, de outra forma, seriam difíceis de alterar.
À medida que mais estudos são conduzidos, espera-se que a hipnose clínica se torne uma prática ainda mais integrada nos cuidados de saúde mental e física. Pesquisas futuras estão explorando como a hipnose pode ser usada para tratar transtornos alimentares, melhorar o desempenho esportivo e até mesmo para gerenciar sintomas de demência em idosos.
A hipnose clínica se destaca como uma técnica terapêutica comprovada e baseada em evidências para o tratamento de uma ampla gama de condições psicológicas, emocionais e físicas. Desde a sua utilização no alívio da dor até o manejo de transtornos de ansiedade e vícios, a hipnose demonstrou ser uma ferramenta poderosa quando aplicada de forma ética e profissional por terapeutas qualificados. No entanto, como qualquer outra abordagem terapêutica, a hipnose clínica não é uma solução milagrosa para todos e deve ser considerada dentro do contexto de um plano de tratamento mais amplo.
Aqui está um resumo dos pontos mais importantes discutidos ao longo do artigo, para ajudar você a decidir se a hipnose clínica é adequada para suas necessidades:
A hipnose clínica é uma excelente opção para quem está procurando alternativas aos métodos tradicionais de terapia ou deseja explorar técnicas complementares para melhorar a saúde mental e física. É particularmente indicada para pessoas que:
Sim, a hipnose clínica vale a pena se você estiver disposto a se envolver ativamente no processo e buscar um profissional qualificado. Para obter os melhores resultados, é essencial ter expectativas realistas e ver a hipnose como parte de uma abordagem terapêutica integrada. Pesquisas mostram que a hipnose funciona melhor quando combinada com outros tratamentos, como terapia cognitivo-comportamental (TCC), psicoterapia tradicional e até mesmo medicação, dependendo do caso.
Se você decidir tentar a hipnose clínica, certifique-se de encontrar um terapeuta com as credenciais corretas, experiência comprovada e uma abordagem ética. Converse com o profissional sobre suas metas e expectativas, e não hesite em fazer perguntas para esclarecer quaisquer dúvidas que possa ter. A hipnose é uma técnica poderosa, mas sua eficácia depende de um ambiente de confiança e colaboração entre paciente e terapeuta.
Ao longo deste artigo, exploramos o que é a hipnose clínica, como funciona, quais são seus benefícios e limitações, e desmistificamos muitos dos equívocos e mitos que a cercam. A hipnose clínica é uma ferramenta terapêutica valiosa e versátil, que pode ajudar a promover mudanças significativas na vida das pessoas. Se você está buscando uma nova abordagem para gerenciar estresse, ansiedade, dores crônicas ou vícios, a hipnose clínica pode ser a resposta que você procura.
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!