A osteoporose é uma condição silenciosa que atinge milhões de pessoas no mundo, especialmente mulheres após a menopausa e idosos. Caracterizada pela perda de densidade e qualidade óssea, a osteoporose aumenta significativamente o risco de fraturas, comprometendo a mobilidade, a autonomia e, em muitos casos, a qualidade de vida. Embora seja mais comum em pessoas com idade avançada, pode começar a se desenvolver de forma silenciosa décadas antes dos primeiros sintomas, o que torna a prevenção ainda mais importante.
Este artigo foi desenvolvido como um guia completo e acessível com o objetivo de fortalecer seus ossos por meio de orientações baseadas em evidências médicas, nutrição adequada, exercícios físicos e hábitos saudáveis. Ao longo deste conteúdo, você vai entender como tratar a osteoporose com segurança e, principalmente, como preveni-la desde cedo — mesmo que você ainda não tenha sinais da doença.
Você encontrará respostas para perguntas comuns como:
Mais do que um artigo, este é um verdadeiro guia prático para cuidar da saúde óssea em todas as fases da vida. Leia com atenção, compartilhe com familiares e amigos e comece hoje mesmo a trilhar o caminho da prevenção e do cuidado. Afinal, ossos fortes sustentam uma vida ativa, segura e saudável.
A osteoporose é uma doença sistêmica do esqueleto caracterizada pela redução da densidade mineral óssea e pela deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, o que leva ao enfraquecimento dos ossos e ao aumento do risco de fraturas, mesmo com traumas mínimos. Muitas vezes chamada de “doença silenciosa”, a osteoporose progride de forma assintomática durante anos, sendo descoberta apenas após a ocorrência de uma fratura.
Essa condição é particularmente comum em mulheres na pós-menopausa devido à queda dos níveis de estrogênio, mas também pode afetar homens, pessoas com doenças crônicas, usuários prolongados de corticosteroides, entre outros grupos de risco. É importante entender que ossos são tecidos vivos, que passam constantemente por renovação: o equilíbrio entre reabsorção e formação óssea é essencial para a saúde esquelética. Quando esse equilíbrio se rompe, o corpo perde mais osso do que consegue regenerar.
Segundo a Fundação Internacional de Osteoporose, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerá uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Essas fraturas, especialmente de quadril, vértebras e punho, estão associadas a dor crônica, perda de independência e até aumento da mortalidade.
Muitas pessoas confundem osteopenia com osteoporose, mas são condições diferentes em termos de gravidade e densidade óssea:
| Condição | Definição clínica | Densidade mineral óssea (T-score) |
|---|---|---|
| Normal | Ossos saudáveis, sem perda significativa de densidade | T-score ≥ -1,0 |
| Osteopenia | Redução leve a moderada da densidade óssea | T-score entre -1,0 e -2,5 |
| Osteoporose | Redução grave da densidade e fragilidade óssea | T-score ≤ -2,5 |
A osteopenia pode ser vista como um estado de alerta, uma fase intermediária entre a normalidade e a osteoporose. Com diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida, é possível evitar a progressão para osteoporose.
A osteoporose não escolhe gênero ou classe social, embora alguns fatores aumentem consideravelmente o risco de desenvolvimento da doença. Conheça os principais:
Com base nesses dados, é possível montar um perfil de risco individual e agir de maneira preventiva desde cedo. Vale destacar que homens, embora menos afetados, costumam ser diagnosticados em estágios mais avançados, o que reforça a importância da conscientização entre o público masculino.
Uma das maiores dificuldades no combate à osteoporose está no fato de que ela é uma doença silenciosa. Ou seja, na maioria dos casos, não apresenta sintomas até que ocorra uma fratura. Por isso, muitas pessoas convivem com a perda de massa óssea durante anos sem saber, até que um simples tropeço ou movimento brusco resulta em um osso quebrado.
No entanto, existem alguns sinais indiretos que podem indicar que o esqueleto está enfraquecido:
A fratura mais comum causada por osteoporose é a fratura vertebral, que muitas vezes não é percebida imediatamente, mas provoca dores e deformidades progressivas. Em seguida, as fraturas de quadril e de punho também são recorrentes e têm forte impacto na qualidade de vida. Em idosos, uma fratura de quadril pode aumentar o risco de mortalidade em até 20% no primeiro ano após o trauma, segundo dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
Portanto, reconhecer esses sinais precoces e investigar preventivamente é essencial para reduzir os danos da osteoporose.
O diagnóstico da osteoporose é baseado em uma combinação de exames clínicos, histórico pessoal e familiar, análise de fatores de risco e exames de imagem. O principal exame utilizado é a densitometria óssea, também chamada de exame de DEXA ou DXA (Dual-Energy X-ray Absorptiometry).
A DEXA é um exame rápido, indolor e com baixa exposição à radiação, que mede a densidade mineral dos ossos, geralmente nas regiões do quadril e da coluna lombar. Os resultados são apresentados em T-score, que compara a densidade óssea do paciente com a de um adulto jovem saudável:
| T-score | Interpretação Clínica |
|---|---|
| Acima de -1,0 | Normal |
| Entre -1,0 e -2,5 | Osteopenia (baixa massa óssea) |
| Abaixo de -2,5 | Osteoporose |
| Abaixo de -2,5 com fratura | Osteoporose grave ou estabelecida |
Esse exame é recomendado principalmente para:
Além da DEXA, outros exames podem ser solicitados para investigação de causas secundárias da osteoporose:
Em alguns casos, o médico pode solicitar radiografias para avaliar fraturas vertebrais ocultas ou alterações estruturais no esqueleto.
Identificar a osteoporose em seu estágio inicial permite intervenções mais eficazes, antes que ocorra uma fratura. A detecção precoce, combinada com mudanças no estilo de vida e, se necessário, tratamento medicamentoso, pode reduzir significativamente o risco de complicações futuras.
A recomendação geral é que pessoas com fatores de risco façam rastreamento periódico da saúde óssea, mesmo que não apresentem sintomas evidentes. Afinal, como destaca a Organização Mundial da Saúde (OMS), fortalecer seus ossos hoje é o melhor caminho para viver com segurança amanhã.
O tratamento da osteoporose tem como principais objetivos prevenir fraturas, estabilizar ou aumentar a densidade óssea, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida. Ele pode incluir medicamentos, suplementação, mudanças no estilo de vida e acompanhamento multidisciplinar. A escolha do tratamento depende da idade do paciente, gravidade da doença, histórico de fraturas e presença de comorbidades.
Os medicamentos mais usados atuam de duas formas principais: inibindo a perda óssea (antirreabsortivos) ou estimulando a formação de osso novo (anabólicos).
| Tipo de Medicamento | Nome / Classe | Ação Principal |
|---|---|---|
| Antirreabsortivos | Bifosfonatos (alendronato, risedronato, ibandronato, ácido zoledrônico) | Inibem células que degradam o osso (osteoclastos) |
| Antirreabsortivos | Denosumabe (anticorpo monoclonal) | Inibe o RANK-L, reduzindo reabsorção |
| Anabólicos | Teriparatida e abaloparatida (análogos do PTH) | Estimulam a formação óssea |
| Anabólicos | Romosozumabe (anticorpo contra esclerostina) | Estimula formação e reduz reabsorção |
| Terapia hormonal | Estrogênio (em casos selecionados de mulheres na pós-menopausa) | Reduz a perda óssea |
Atenção: o uso de medicamentos deve ser sempre prescrito por médicos, com acompanhamento rigoroso, pois podem ter efeitos adversos importantes, como distúrbios gastrointestinais, hipocalcemia, ou risco de trombose, dependendo do caso.
O cálcio é o principal mineral que compõe os ossos, enquanto a vitamina D é essencial para sua absorção no intestino. A suplementação é indicada quando a ingestão alimentar não atinge os níveis adequados ou quando há deficiência comprovada por exames.
Fontes comuns de suplementos incluem carbonato de cálcio, citrato de cálcio e colecalciferol (vitamina D3). A suplementação deve ser feita de forma individualizada, pois o excesso pode provocar efeitos adversos, como cálculos renais ou hipercalcemia.
O tratamento da osteoporose não deve se limitar aos medicamentos. É essencial trabalhar a reabilitação para:
A fisioterapia atua com exercícios posturais, alongamentos, técnicas de reeducação funcional e orientações de ergonomia. Já o uso de órteses e coletes pode ser indicado em casos específicos para aliviar a dor e melhorar a estabilidade da coluna.
Cada paciente tem um histórico clínico único, o que torna essencial o planejamento terapêutico individualizado, envolvendo:
Além disso, o tratamento eficaz da osteoporose exige monitoramento periódico da densidade óssea (a cada 1 a 2 anos) e ajustes no plano conforme os resultados clínicos.
Paciente: Mulher, 67 anos, menopausa aos 48, fratura de punho aos 65.
Diagnóstico: Osteoporose (T-score -2,9 na coluna lombar).
Conduta médica:
Resultado: Após 2 anos, melhora da densidade óssea (T-score -2,4), sem novas fraturas, redução da dor lombar e melhora da mobilidade.
O tratamento da osteoporose, portanto, é multifatorial e contínuo. Fortalecer seus ossos exige comprometimento diário, suporte profissional e disciplina, mas os benefícios são amplos: mais segurança, mais vitalidade e mais autonomia ao longo da vida.
A osteoporose não é inevitável. A ciência tem demonstrado, com evidências robustas, que é possível fortalecer seus ossos ao longo da vida com hábitos consistentes. A prevenção não depende apenas de genética ou idade: ela está nas escolhas do dia a dia — o que comemos, como nos movemos e como cuidamos da saúde de forma integral. Neste capítulo, exploramos as ações preventivas mais eficazes para manter a estrutura óssea resistente e funcional.
Manter ossos fortes ao longo da vida requer um estilo de vida equilibrado, que envolva alimentação adequada, exposição ao sol, prática de atividade física e controle de fatores de risco. A seguir, veja os pilares essenciais da prevenção:
A nutrição tem papel direto na formação e manutenção da massa óssea. Veja uma tabela com os principais alimentos benéficos para os ossos:
| Nutriente | Função no organismo | Fontes alimentares principais |
|---|---|---|
| Cálcio | Componente estrutural dos ossos | Leite e derivados, tofu, brócolis, couve, amêndoas |
| Vitamina D | Auxilia na absorção de cálcio | Sol (sintetizada pela pele), salmão, gema de ovo, cogumelos |
| Magnésio | Cofator em processos de formação óssea | Espinafre, abacate, sementes de abóbora, banana |
| Vitamina K | Participa da mineralização óssea | Couve, agrião, alface, acelga |
| Proteínas | Estrutura de colágeno do osso | Ovos, peixes, leguminosas, carnes magras |
Além disso, o consumo de alimentos ricos em antioxidantes (como frutas vermelhas, açafrão, chá verde) auxilia no combate à inflamação crônica, que pode contribuir para a degradação óssea em longo prazo.
Alguns hábitos alimentares comprometem a densidade mineral dos ossos ao longo do tempo. Entre os principais vilões estão:
A moderação é a chave: não é necessário cortar todos esses itens, mas sim consumi-los com consciência e equilíbrio.
| Refeição | Sugestão rica em nutrientes para os ossos |
|---|---|
| Café da manhã | Iogurte natural com chia e banana + chá verde |
| Almoço | Arroz integral, feijão, brócolis refogado e filé de peixe |
| Lanche | Mix de castanhas e frutas secas + suco de laranja natural |
| Jantar | Omelete com espinafre e cogumelos + salada de folhas verdes |
| Ceia (opcional) | Copo de leite morno com cúrcuma e canela |
Esse é um modelo flexível e adaptável para diversas faixas etárias e estilos de vida.
Os ossos são tecidos vivos que respondem ao estímulo físico. Assim como os músculos aumentam de volume com o treinamento, os ossos também se fortalecem quando são submetidos a forças mecânicas regulares. Isso torna o exercício uma ferramenta poderosa tanto na prevenção quanto no tratamento da osteoporose.
As atividades físicas mais eficazes para a saúde óssea são aquelas que promovem impacto controlado e tração muscular sobre o esqueleto. A seguir, destacamos os principais tipos de exercício recomendados:
Essas atividades estimulam os ossos das pernas, quadris e coluna, regiões comuns de fratura osteoporótica.
Esse tipo de exercício fortalece os músculos e também aumenta a densidade mineral óssea. Ele deve ser sempre feito com orientação profissional, especialmente em pessoas com osteoporose avançada ou histórico de fraturas.
Essas práticas reduzem significativamente o risco de quedas, que são a principal causa de fraturas em pessoas com osteoporose. Além disso, melhoram a consciência corporal e a postura.
Um estudo publicado na revista Osteoporosis International mostrou que mulheres na pós-menopausa que praticaram musculação 2x por semana durante 12 meses apresentaram melhora significativa na densidade óssea do colo do fêmur e da coluna lombar.
Sim. Embora a prática de atividade física seja altamente recomendada, certos tipos de exercício podem ser prejudiciais em pessoas com osteoporose já diagnosticada, especialmente quando há fraturas vertebrais prévias ou alto risco de fraturas. Deve-se evitar:
A recomendação é que toda pessoa com diagnóstico de osteoporose inicie um programa de exercícios sob supervisão de um fisioterapeuta ou educador físico especializado.
| Dia da semana | Atividade recomendada |
|---|---|
| Segunda | Caminhada de 30 minutos + 20 minutos de musculação leve |
| Terça | Yoga ou Pilates + exercícios de equilíbrio |
| Quarta | Caminhada + treino de resistência para membros superiores |
| Quinta | Dança ou hidroginástica |
| Sexta | Treino funcional com peso corporal + respiração consciente |
| Sábado | Atividade ao ar livre (parque, trilha leve) |
| Domingo | Descanso ativo: alongamentos ou passeio recreativo |
Dica: a regularidade é mais importante que a intensidade. Exercitar-se 4 a 5 vezes por semana, com estímulos variados, promove benefícios sustentáveis e duradouros.
A osteoporose é frequentemente associada à velhice, mas essa percepção é limitada e, por vezes, perigosa. A verdade é que a saúde óssea começa a ser construída na infância e sofre transformações importantes ao longo de toda a vida. Compreender como o risco e a prevenção se manifestam em cada fase é essencial para traçar estratégias eficazes de cuidado. Nesta seção, exploramos como fortalecer seus ossos desde cedo até a terceira idade, com foco nas particularidades de cada grupo.
A fase de crescimento é crítica para o desenvolvimento do pico de massa óssea, que ocorre entre os 20 e 30 anos. É nessa etapa que o esqueleto atinge seu potencial máximo de densidade e resistência.
Atenção especial deve ser dada à educação alimentar e ao incentivo à prática esportiva na infância. Quanto maior a densidade óssea adquirida nessa fase, maior será a reserva disponível para enfrentar as perdas naturais da vida adulta.
Embora raro, casos de osteoporose em adultos jovens estão aumentando, principalmente por causa de:
Neste grupo, a doença pode passar despercebida até que uma fratura ocorra. Por isso, a prevenção e o rastreamento em pacientes com histórico clínico relevante são essenciais.
A perda acelerada de massa óssea em mulheres ocorre principalmente nos 5 a 10 primeiros anos após a menopausa, quando os níveis de estrogênio, hormônio fundamental para o metabolismo ósseo, caem drasticamente.
O tratamento preventivo nesta fase deve incluir:
Mulheres na pós-menopausa formam o grupo mais diagnosticado com osteoporose, o que exige políticas públicas e ações de conscientização específicas.
Homens também perdem densidade óssea com o envelhecimento, mas em ritmo mais lento. A osteoporose masculina é frequentemente subdiagnosticada e subtratada, o que leva a um maior risco de complicações graves quando fraturas ocorrem.
A partir dos 70 anos, a densitometria óssea é recomendada para todos os homens, especialmente os que apresentam fatores de risco.
Na terceira idade, o desafio não é apenas manter a densidade óssea, mas evitar fraturas por meio da prevenção de quedas, que são a principal causa de hospitalização e perda de autonomia em idosos.
Uma queda pode mudar toda a trajetória funcional de um idoso. Por isso, o foco é preservar a autonomia e prevenir eventos traumáticos.
As fraturas relacionadas à osteoporose são muitas vezes causadas por quedas simples, como tropeçar em um tapete ou escorregar no banheiro. Embora a fragilidade óssea torne o corpo mais suscetível, o fator desencadeador mais comum é a queda acidental. Portanto, prevenir quedas é tão importante quanto manter os ossos fortes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% das pessoas com mais de 65 anos caem pelo menos uma vez ao ano, e os riscos aumentam com a idade, sedentarismo e uso de múltiplos medicamentos.
A maioria das quedas ocorre dentro de casa. Por isso, adaptações simples no ambiente podem salvar vidas. A seguir, apresentamos um checklist prático de segurança:
Com o avanço da tecnologia, hoje é possível contar com dispositivos e aplicativos que ajudam a monitorar e prevenir quedas, especialmente para pessoas que moram sozinhas ou têm mobilidade reduzida.
Além disso, algumas smart TVs, assistentes virtuais e câmeras de segurança doméstica podem ser programadas para acompanhar o bem-estar de idosos, oferecendo maior segurança e independência.
A prevenção de quedas também passa pela preparação física adequada. Praticar atividades que desenvolvam equilíbrio, propriocepção e reflexos é uma das melhores estratégias para evitar quedas.
Exemplos de exercícios indicados:
Esses exercícios podem ser praticados diariamente em casa, com o auxílio de uma cadeira ou corrimão para apoio inicial, se necessário.
Mesmo com todos os cuidados, fraturas podem acontecer. Nesses casos, o mais importante é:
Uma fratura não é o fim do caminho, mas pode ser um alerta para reavaliar toda a rotina de cuidados.
A nutrição desempenha um papel fundamental na saúde óssea. Embora uma dieta equilibrada e rica em cálcio seja ideal, nem sempre conseguimos atingir as necessidades diárias apenas com os alimentos. Nessas situações, entra em cena a suplementação estratégica e a alimentação funcional, que ajudam a fortalecer os ossos e prevenir a osteoporose de forma segura e personalizada.
A suplementação de cálcio e vitamina D é uma das medidas mais estudadas e recomendadas para prevenir e tratar a osteoporose. No entanto, ela deve ser feita com critério, pois o uso indiscriminado pode causar efeitos colaterais como constipação, cálculos renais e até riscos cardiovasculares.
| Nutriente | Faixa Etária | Recomendação Diária Média |
|---|---|---|
| Cálcio | Adultos (19–50) | 1.000 mg |
| Cálcio | Acima de 50 anos | 1.200–1.500 mg |
| Vitamina D | Adultos | 800–2.000 UI |
| Vitamina D | Deficiência grave | Até 10.000 UI (com supervisão) |
Importante: a vitamina D deve ser acompanhada por avaliação médica, pois sua dosagem inadequada pode resultar em hipervitaminose D, condição que afeta rins, coração e sistema vascular.
| Suplemento | Função | Indicação |
|---|---|---|
| Carbonato de cálcio | Fonte comum de cálcio, eficaz e barata | Melhor absorvido com alimentos |
| Citrato de cálcio | Absorção superior, ideal para idosos | Pode ser tomado em jejum, menos constipante |
| Colecalciferol (D3) | Forma ativa da vitamina D | Aumenta absorção de cálcio no intestino |
| Magnésio | Cofator da formação óssea | Reforça ação do cálcio e reduz cãibras |
| Vitamina K2 (menaquinona-7) | Atua na fixação do cálcio nos ossos | Pode ser associada à vitamina D para otimizar a mineralização |
A associação de nutrientes é fundamental: não adianta consumir apenas cálcio sem vitamina D e magnésio, pois o metabolismo ósseo depende da sinergia entre esses elementos.
A alimentação funcional vai além da simples ingestão de cálcio e vitamina D. Ela envolve o uso de alimentos com propriedades biológicas que favorecem a mineralização óssea, reduzem inflamações e fortalecem os tecidos de sustentação.
A inflamação crônica de baixo grau é um dos fatores silenciosos que contribuem para a degradação óssea ao longo do tempo. Por isso, uma dieta anti-inflamatória também fortalece seus ossos indiretamente.
Há situações em que, mesmo com uma alimentação equilibrada, o organismo não consegue absorver ou manter os níveis ideais de nutrientes, como:
Nesses casos, a suplementação supervisionada é essencial para evitar deficiências nutricionais que colocam os ossos em risco.
A osteoporose ainda é cercada por ideias equivocadas que se perpetuam por gerações, dificultando o diagnóstico precoce e prejudicando a adesão ao tratamento. Separar o que é fato do que é mito é um passo importante para ajudar pacientes e famílias a fortalecer os ossos com responsabilidade e informação de qualidade. A seguir, desvendamos os equívocos mais comuns.
Verdade: Embora as mulheres na pós-menopausa representem o grupo de maior risco, a osteoporose pode atingir homens e adultos jovens, especialmente em casos de doenças crônicas, uso prolongado de medicamentos (como corticoides) ou deficiências nutricionais. Homens costumam ser subdiagnosticados, o que aumenta os riscos de fraturas graves.
Verdade: A osteoporose é conhecida como “a doença silenciosa” justamente porque não provoca dor em seus estágios iniciais. A dor geralmente surge após fraturas — especialmente nas vértebras — ou deformidades estruturais. O diagnóstico precoce por densitometria óssea é fundamental para identificar e tratar antes de complicações.
Verdade: Fraturas relacionadas à osteoporose não são normais nem inevitáveis com o envelhecimento. Elas indicam que a saúde óssea está comprometida. Com prevenção, exercício físico e tratamento adequado, é possível evitar a maioria das fraturas osteoporóticas, mesmo em idades avançadas.
Verdade: Embora o leite seja uma fonte rica em cálcio, ele não é suficiente por si só para garantir ossos fortes. É necessário manter um equilíbrio entre cálcio, vitamina D, magnésio, vitamina K, proteínas e atividade física. Além disso, pessoas com intolerância à lactose ou dietas veganas devem buscar fontes alternativas de cálcio.
Verdade: O exercício físico é um dos principais aliados no tratamento e prevenção da osteoporose, desde que seja realizado de forma segura e orientada. Caminhada, musculação leve, pilates e yoga ajudam a melhorar o equilíbrio, fortalecer músculos e estimular a formação óssea, reduzindo o risco de quedas e fraturas.
Verdade: Suplementos nutricionais devem ser usados com critério. O excesso de cálcio pode causar problemas renais e cardiovasculares, e a vitamina D, em doses elevadas, pode levar à toxicidade. A automedicação é arriscada. Sempre procure orientação de um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplemento.
Verdade: Embora não haja cura completa para a osteoporose, é possível estabilizar ou até melhorar a densidade óssea com um plano de tratamento bem estruturado. Medicamentos, mudanças de hábitos e alimentação correta podem evitar fraturas e restaurar parte da resistência óssea.
Verdade: A saúde óssea deve ser construída desde a infância. O pico de massa óssea ocorre até os 30 anos. Quanto maior for essa reserva, menor o risco de osteoporose no futuro. Por isso, é importante incentivar desde cedo uma dieta rica em cálcio e a prática de atividades físicas.
O enfrentamento da osteoporose não precisa ser solitário. Existem recursos institucionais, plataformas digitais, associações médicas e profissionais da saúde que oferecem suporte contínuo a pacientes, cuidadores e familiares. Saber onde buscar ajuda confiável é tão importante quanto manter uma alimentação adequada ou seguir o tratamento prescrito.
A seguir, listamos fontes reconhecidas no Brasil e no mundo, onde é possível encontrar orientações atualizadas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da osteoporose:
A prevenção da osteoporose não deve ser uma responsabilidade isolada. Ela pode ser incorporada à rotina familiar com ações simples e coletivas:
Fortalecer os ossos é fortalecer a família como um todo.
A osteoporose é uma condição silenciosa, mas que pode ser enfrentada com informação, prevenção e acompanhamento adequado. Tratar e prevenir a osteoporose exige uma abordagem integrada — que passa pela alimentação, exercícios físicos, exames periódicos, suplementação inteligente e mudanças no estilo de vida.
Ao longo deste guia completo, você descobriu que não existe uma fórmula única, mas sim um conjunto de estratégias que, aplicadas com consciência, protegem seus ossos e preservam sua autonomia por toda a vida.
Seja aos 20, 40 ou 70 anos, nunca é tarde demais para começar a cuidar da saúde óssea. E quanto mais cedo esse cuidado se inicia, mais proteção você conquista contra fraturas e perdas funcionais.
Fortaleça seus ossos, fortaleça sua liberdade, seu movimento e sua vitalidade.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AVALIAÇÃO ÓSSEA E OSTEOMETABOLISMO (ABRASSO). Diretrizes Brasileiras para Diagnóstico e Tratamento da Osteoporose em Adultos. São Paulo: ABRASSO, 2020.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Prevention and Management of Osteoporosis: WHO Technical Report Series. Geneva: WHO, 2003.
INTERNATIONAL OSTEOPOROSIS FOUNDATION (IOF). The Global Burden of Osteoporosis: Facts and Figures. Nyon: IOF, 2021.
NATIONAL OSTEOPOROSIS FOUNDATION. Clinician’s Guide to Prevention and Treatment of Osteoporosis. Washington, DC: NOF, 2020.
SOCIETY FOR ENDOCRINOLOGY AND METABOLISM. Bone Health Guidelines for Adults over 50. Londres: Endocrine Society Press, 2019.
HOLICK, M. F. Vitamin D deficiency. New England Journal of Medicine, v. 357, n. 3, p. 266–281, 2007.
KHOSLA, S.; SHANE, E. A crisis in the treatment of osteoporosis. Journal of Bone and Mineral Research, v. 31, n. 8, p. 1485–1487, 2016.
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